Ah, pois é! Apaguem os cigarros, charutos e cigarrilhas por favor. É proibido. Correcção, não é proibido fumar de todo, há excepções, pois claro.
Os três primeiros dias deste ano de 2008 foram interessantes de observar, no que diz respeito a aplicação da nova lei do tabaco e as diversas reacções. Li sobre dois casos nesta matéria. Num deles, o indivíduo prevaricador ou o estabelecimento em prática ilegal terá sido autuado. Não sabemos porque a entidade policial não revela, apenas informa que tomou previdências. Noutro caso, um individuo recusou apagar o cigarro o que levou o proprietário do estabelecimento, uma cafetaria, a chamar as autoridades. Quando estas chegaram, o criminoso já se tinha ausentado, e o estabelecimento foi multado por não ter afixado nenhum dos dísticos obrigatórios. Caricato.
Sou fumador, admito sem vergonha. Por enquanto sem medo, já que não acredito que essa confissão leve a uma perseguição igual à protagonizada contra opções religiosas ou cor da pele, como testemunhamos antigamente.
Sim, pensarão que estou a exagerar nessas comparações. A proibição não é contra os fumadores mas sim a favor dos “passivos”. Então proponho o seguinte: legalizem as drogas leves, já que estas não prejudicam os ditos “passivos”, e voltem a proibir o aborto, pois neste caso são exactamente os “passivos” que são prejudicados (pai incluído). O cinto de segurança e, no caso dos motociclos, o capacete não influenciam ninguém passivamente senão os próprios utilizadores. Abolem essa lei também.
Camufladamente, somos vigiados e controlados pelos poderes instituídos, retratados como criminosos ou vítimas conforme é proveitoso para os aglomerados económicos e por quem persegue interesses maiores do que a saúde do indivíduo ou o seu bem-estar.
Não estou a justificar o que fizeram com o que ainda não foi feito. Mas reclamo que o façam também. E com coerência. Sem hipocrisia.
03 janeiro, 2008
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